A história que eu não contei

A viagem de Lisboa a Londres foi tranquila e em duas horas. Chegamos aas 17:35 em Londres. Quando saímos do avião nos dirigimos após escadas rolantes e corredores a um salão enorme onde haveríamos de nos encontrar com os fiscais da imigração. E chegando lá fiquei indeciso sem saber se eu tinha que pegar a minha mala logo ou depois de passar na imigração.  Vi outras filas mas deduzi que era do pessoal europeu mesmo, que não devia haver maior rigor nem controle para a entrada no país. Por outro lado eu via as pessoas sendo chamadas uma a uma para um dos atendentes que ficavam em um guichesinho com uma passagem ao lado que dava acesso a um corredor. Quando cheguei a este local a maioria da galera que tinha que passar na imigração já fora atendida e assim a fila até que andou rápido.  Quando chegou a minha vez vi logo na frente um Policial negro, já idoso, sentado em uma cadeira encaminhando os passageiros para os outros dos guichês que arguiam. Então, em espírito pensei: Oh! Deus! Não deu nem tempo orar. O negro já gritava comigo “next”, “next” (próximo). E havia acabado de chegar em um dos guiches uma Policial, aí pensei, que bom se eu for para ela. Pode ser mais misericordiosa. Dizem que as mulheres. São mais dóceis e eu sei que são. Mas nada, fui parar no Policial inglês. Com meu passaporte e a fichinha com minhas informações na mão entreguei para ele. Que olhando para mim me fez uma pergunta que não entendi. Então, falei: “I don’t speak english” (falei eu não falo inglês, mas acabei de falar, coisa decorada! rsrsrs). E no meu inglês pobre falei  que estava indo visitar minha filha em Lufbra. Mostrei a cópia do passaporte de Paty. Disse que iria ficar no país por 70 dias. Que voltaria no dia 11 de julho. E, que eu era aposentado. Se ele entendeu estas orações ou não eu não sei. Nisto vi que no guiche à minha direita uma mulher portuguesa havia se enrolado também e um Policial que falava português tinha acabado de chegar para ser interprete das perguntas e respostas para o policial arguidor. Foi quando o meu inquisidor chamou o dito Policial para vir ser meu intérprete. Então, imaginem a minha alegria de ver aquele homem enorme e forte, falando português e me perguntando as coisas com autoridade mas com muita educação. Conversaram um pouco entre eles. E depois me perguntou: É a primeria vez que vem aqui? Yes. O que o senhor veio fazer aqui? Disse: vim visitar minha filha que faz doutorado em Lufbra. Mostrei a cópia do passaporte. Então, disse que Paty tinha visto para ficar aqui (na Inglaterra) até 2014. Então, me disse: aqui não tem esta informação. Eu disse: tem e virei a xérox e mostrei a ele, foi aí que ele descobriu que tinha mais informações no verso. Perguntou-me: e quando sua filha chegou aqui? Disse: chegou na terça feira (poucos dias antes). Que sua filha faz aqui? Disse: vai fazer doutorado na Universidade de Lufbra. Doutorado em que? Disse: Ciencia da Informação. Observou: sua filha chegou aqui na terça feira e o Senhor já veio visitá-la? Expliquei: Oh! meu rei! é pq ela tem duas crianças uma de 7 e uma de 4 anos e vim para ficar dando apoio a ela por causa de meus netos, pq o esposo dela veio com ela mas só ficou aqui uma semana e voltou hoje ao Brasil e só virá no dia 10 de julho pq foi terminar a faculdade dele. No mesmo dia que ele chegar eu volto ao Brasil. – “Sua filha está aqui lhe esperando?” Disse: “yes”. Ela está com as crianças aqui? Disse: “yes”. Depois Paty me falou que deixar crianças sozinhas em casa é crime aqui na Inglaterra. Se ele tivesse tido alguma dúvida e fosse comigo para conferir isto íamos encontrar Paty, Higor e as crianças de cara. Sempre ele me fazia as perguntas, ouvia as respostas e recebia outras perguntas do colega para me fazer. Perguntou: vc deixou outros familiares no Brasil? Disse: “yes”. Minha esposa e os meus demais filhos. Quantos filhos moram com vc e sua esposa? Disse: nenhum. Todos meus filhos são casados. – Vc mora sozinho com a esposa? “yes”. – Tem outros familiares no Brasil? “yes”. Minha mãe, meus irmãos, tios, primos. Meu coração batia cada vez mais rápido. Agora que via que as coisas pareciam resolvidas comecei a ficar emocionado, principalmente pq via que o que me entrevistava em portugues parecia convencido de que eu era gente direita e disposto a me liberar, mas o outro sempre aparecia com uma nova pergunta. Eu disse então: sou aposentado do Banco do Brasil e mostrei uma carteira antiga do BB que havia sido confeccionada em 1981 quando trabalhei em Ubaíra e que guardo até hoje como lembrança. Eu bastante jovem. O Policial olhou a foto e balançou a cabeça como a dizer bem diferente. Mostrei a carteirinha de aposentado pela Previ e o local onde estava escrito “aposentado desde 09/97”. Ele olhou mostrou ao colega e depois me perguntou em que ano se aposentou? Disse: em 1997. Nesta hora levantei a cabeça e todos os passageiros já tinham ido embora. Só eu, os dois policiais e mais algumas pessoas no enorme saguão. Fiquei emocionado e queria chorar. Interessante notar que o que falava português e me fazia as perguntas, transmitia ao outro em inglês e dava para sentir que se dependesse dele eu estava liberado.  Então, olhando para mim, me disse o policial tradutor: – “ele vai carimbar o seu passaporte”. Fiquei muito feliz. Ele carimbou e eu peguei meus papéis, arrumei a minha carteira enquanto dizia: “thanks”, “thanks very much”. E por fim ele falou agora vá pegar a sua mala. É por alí. Siga o corredor. Saí quase correndo. Mas ainda esta bastante assustado. Depois de caminhar bastante olhando onde era o local que as malas estavam rolando e nada de achar. Lendo as placas e tudo. Me deparei com uma fila em um “cash” onde tinham umas 8 mulheres. Parei e falei para elas: por gentileza alguém fala português? Uma disse: eu falo. Perguntei: vc sabe onde pegamos as malas? Disse-me: – “desça aí”. Desci a escada e embaixo haviam duas esteiras rolando com malas. Parei na primeira e esperei a minha mala. As poucas que ainda estavam rolando passavam e passavam de novo e nada da minha. Desconfiei que poderia ser que a minha mala estivesse na outra esteira. Mas, lá só tinha umas poucas rolando. Pensei: Oh! meu Deus que vou fazer neste país sem a minha mala!. Nisto, passou um português que veio sentado ao meu lado no voo de Lisboa para Londres que eu pensava que era inglês e durante o voo descobri que era português, que me disse é nesta aqui que chegaram as malas. Agradeci. Mas, minha mala não passava. Então, desconfiei de uma que estava virada, com as costas para cima e que já tinha passado umas duas vezes. Peguei-a e quando a desvirei. Estava escrito: “CERES”. Era a minha mala. Então, me lembrei do carinho com o qual Neusa arrumou a minha mala naquele dia de domingo e ela jamais poderia se perder ou ser subtraída de mim, que para dizer a verdade se alguém a tivesse pegado tinha levado pq eles não conferem o “ticket”. Saí feliz com a mala, puxand0-a e pensando em Paty e nos demais. Segui as placas indicativas e saída “êxit”, até um corredor que dava para o aeroporto. Depois de quase uma hora em solo Inglês, em um gigante de aeroporto já bastante vazio e bastante frio. Lá estava a família, todos juntos, em pé me esperando a um tempão. Glorifiquei a Deus. Nos abraçamos. Nos beijamos. Então me disseram, já estávamos preocupados. Contei-lhes da sabatina. E fomos pegar um onibus para o Hotel ParkIn que fica dentro do aeroporto e logo depois fomos comer alguma coisa porque estávamos com fome.

Sobre bellofilho

Meu nome é Augusto. Eu tenho 66 anos e sou aposentado. Sou compositor e cantor e ultimamente tenho me dedicado ao CD gospel que recentemente gravei, intitulado por "Eu te louvarei" que é o nome de uma das músicas.
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