What time is it?

Eu nunca imaginei que um dia estaria aqui na Inglaterra e ainda por cima na cidade que fez a bola da copa de 2010 (Lufbra) e que é uma bela cidade que se esconde atrás das árvores. Outro dia estive batendo bola com uns ingleses em um dos campos da Universidade. Todos campos são de gramado sintético. Uma maravilha. Eu estava com uma camisa amarela escrito Brasil no peito, foi antes de começar a Copa. Estava dentro do campo, mas fiquei próximo a entrada porque os campos são cercados por alambrados. As bolas vinham em minha direção quando eles erravam os chutes e eu fui chegando aos pouquinhos, aos pouquinhos, devolvendo as bolas para eles. A certa altura me fizeram sinal para participar do bate bola. Inicialmente cruzei bolas para eles cabecearem. Logo pús umas bolas na cabeça do melhor jogador dentre eles que cabeceava para o gol. Tentaram conversar comigo mas eu usei as minhas expressões favoritas. “I’m sorry”. “I don’t understand english, because I speak portuguese”. Mas um insistiu: “Are you from Brazil?” Respondi: “Yeah”. E perguntaram-me sobre os jogadores da seleçao para a copa. Falei o nome de alguns e comecei com Robinho. Então, um perguntou para o outro se conhecia ou se sabia quem era “Roabinho”. Achei engraçado. Tentei lembrar os nomes dos demais jogadores mas neste momento me deu um branco pq só lembrei de Kaká. A conversa encerrou-se eu não entendia o que eles falavam. Então, eu balançava a cabeça expressando que não sabia.

Nestes momentos em que eu não entendia o que eles me perguntavam me sentia impotente e frustrado. Gente, nao é mole não. Eu gosto de conversar. Então, eu gostaria de falar sobre o Brasil. E me sentia um analfabeto, só que ao inverso do analfabeto brasileiro que fala mal o português e não ler nada. Eu leio mal o inglês e não falo nada. Na verdade, falo poucas expressões e expressar idéias, pensamentos, fazer relatos é muito complicado, requer muito conhecimento do idioma e preparo, então sou praticamente zero. Falo algumas coisas sem às vezes usar os verbos, etc orações pela metade. Eles entendem mas é uma comunicaçao que deixa muito a desejar. Em que pese esta dificuldade para me expressar, nestes dois meses eu aprendi. O meu inglês melhorou. Vocabulário e pronúncia. Vi e ouvi o idioma na maior das adversidades. Estamos cercados pelo idioma por todo os lados.

Continuamos a bater bolas. Aí eles começaram a me respeitar mais a despeito da minha idade. Recordo de uma jogada que fiz, tipicamente brasileira, quando um deles cruzou uma bola alta que matei no peito e antes dela chegar ao chão bati de primeira e forte para o gol que obrigou o goleiro a tirar de soco. Ficaram me elogiando. “Very good, very good!” Fiquei feliz, pq consegui fazer uma boa jogada, principalmente como representante do Brasil, às vésperas de uma Copa do Mundo. Depois sugeri batermos penaltes que eles logo entenderam pq a palavra é originária daqui mesmo. O melhor deles estava no gol e pegou dois penaltes que bati. No terceiro pensei está na hora de eu acertar. Então, comecei a enganá-lo, gingado para um lado e batendo para o outro. A partir daí ele não pegou mais e me elogiaram novamente.

Depois de bater bola com estes três ingleses, eles foram embora e outros três mais jovens que estavam alí por perto nos observando se aproximaram de mim, talvez curiosos por causa da minha camisa.

Chamei eles para jogarmos com umas poucas palavras inglesas. Eles entenderam e começamos bater bolas e para descontrair eles, eu fui para o gol. Peguei algumas bolas e em seguida comecei a bater também para eles. Brincamos de bater penaltes e esta brincadeira eles não conheciam. Todos batem um série de penaltes para um que fica no gol até saber-se quem é melhor batedor. Depois o que ganhou vai para o gol e os outros batem novamente uma série até saber-se quem bate melhor novamente. Quando um está no gol os outros alternadamente batem uma série de penaltes. O que fizer mais gols é o vencedor. E assim, revezando os goleiros até todos pegarem no gol, etc. Ganhei duas vezes. Depois ensinei eles a jogar bobinho. E jogamos bobinho um tempão. Éramos quatro. Agora o interessante mesmo, era eu tentando explicar estas brincadeiras para eles em inglês e muitas vezes misturando com o português. Tinha vezes que eles deitavam no chão de tanto rir das coisas que eu falava e que soavam engraçadas e estranhas aos ouvidos deles. É uma experiência terrível. Vc desejando falar para ser entendido e não conseguir. E também, quando uma pessoa nos pede uma informação como aconteceu comigo quatro vezes enquanto estive em Lufbra. Três pessoas de carro querendo informações e um pedestre querendo saber as horas. Este, pedestre, não perguntou-me as horas como apredemos: “What time is it?”. Falava outra coisa que eu não entendia e estava com o braço engessado, batia neste braço e falava para mim novamente. Rapidamente, passou pela minha cabeça que ele estava pedindo esmola. Aí falei a expressão de sempre: “I don’t speak english”. Então, ele apontou para o o relógio no meu braço, foi aí que eu entendi que eram as horas que ele queria saber. Rapidamente levantei-me pq estava sentado em uma parada de ônibus e fui ao encontro dele, apontei o relógio e disse: “Thrirty two past twelve”. “Tank you”, disse ele e foi embora. Fiquei muito feliz.

Mas com toda dificuldade eu tenho me comunicado. Quando faço compras e medirijo ao caixa, eles sempre falam alguma coisa que eu não entendo, então vou logo dizendo que vou pagar com dinheiro ou com o cartão mostrando as Libras ou o cartão conforme o caso.

Aprendi a andar de ônibus. Quando entro tenho que falar para onde estou indo. Todo ônibus coletivo tem GPS e uma voz feminina vai falando: – “Next stop, Sharpley Road”. Dizendo que a próxima parada é na Sharpley Road (rua).

Ando a pé daqui de casa para o centro e vice-versa. Faço minhas caminhadas. Visito a Universidade, vou a Igreja etc. No último domingo fomos a uma Igreja e só ficamos sabendo que era Católica por causa da liturgia e do boletim da igreja. Os hinos belos, edificantes, um silêncio, adoração. Todos os músicos e alguns cantores de cabelos brancos  Poucos jovens. Não tinham imagens. Não usaram o nome de Maria. Não tinha Padre. Amáveis irmãos.

E voltando ao futebol, um senhor desta Igreja disse em conversa a Patrícia que eles gostariam de ter um professor de futebol brasileiro para os jovens da igreja e se Higor não aceitaria.

No mês de outubro virá um brasileiro ministrar nesta Igreja, era uma oportunidade para Patrícia ser a intérprete pq eles puseram no boletim que estão a procura de uma pessoa que fale portugês para tradutor. Mas, não sei se ela aceitaria pq é muito ocupada com a Universidade e com a família.

Por hoje é só. Veja algumas fotos da cidade.

Beijos.

(Este relato foi escrito em julho de 2010, antes da Copa do Mundo na África)

Sobre bellofilho

Meu nome é Augusto. Eu tenho 66 anos e sou aposentado. Sou compositor e cantor e ultimamente tenho me dedicado ao CD gospel que recentemente gravei, intitulado por "Eu te louvarei" que é o nome de uma das músicas.
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